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Secretário Marcelo Britto afirma estar sendo vítima de "interferências políticas" e que não vai pedir demissão

Ao deixar a sede da Polícia Federal, Marcelo Britto afirmou que continua secretário até o dia em que o prefeito exonerá-lo
Secretário Marcelo Britto afirma estar sendo vítima de "interferências políticas" e que não vai pedir demissão Secretário Marcelo Britto afirma estar sendo vítima de "interferências políticas" e que não vai pedir demissão

Em seu depoimento à Polícia Federal, na quarta (24), o secretário municipal de Saúde, Marcelo Britto, concedeu entrevista ao repórter Marcos Valentim, da TV Bandeirantes Bahia. Mostrando-se tranquilo, ele disse, entre outras coisas, que o valor de R$ 400 mil cobrado à UPA da Queimadinha por uma assessorisa de dois meses "foi até pouco". Sobre sua permanência à frente da pasta, Britto diz que não pretende pedir demissão: "só olhando o Diário Oficial". Também afirmou estar sendo vítima de "interferências políticas". Confira a entrevista na íntegra:

Marcos Valentim - Secretário, o sr. esteve na Polícia Federal para responder sobre o valor de R$ 400 mil, recebido em apenas dois meses por uma consulta para a UPA da Queimadinha?

Marcelo Britto - Sim, nós acabamos de fazer o depoimento, educadamente, de forma muito tranquila. Nenhuma pergunta ficou sem resposta. E foi feita de forma educada, tranquila, sem agressão, sem xingamento. Parabéns ao delegado da Polícia Federal, que conduziu de forma muito boa as perguntas.

Pergunta - O que foi perguntado ao senhor?

Marcelo Britto - Aí o senhor aguarda para ver o próprio depoimento. Foram perguntados assuntos específicos sobre a denúncia.

Pergunta - O senhor recebeu esses R$ 400 mil reais em dois meses de assessoria à UPA da Queimadinha?

Marcelo Britto - Não!

Pergunta - Quanto o senhor recebeu?

Marcelo Britto - Eu recebi aproximadamente R$ 200 e poucos mil reais.

Pergunta - Referente a que, secretário?

Marcelo Britto - Serviço de consultoria e atendimento.

Pergunta -  E por que, então, citaram R$ 400 mil, secretário?

Marcelo Britto - Aí você tem que perguntar à pessoa que fez a citação. Eu não tenho como responder a respeito disso.

Pergunta - Acredita que a Polícia Federal tenha alguma prova contra o senhor?

Marcelo Britto - Aí você tem que perguntar à Polícia Federal. Só ela vai lhe responder se tem prova contra mim. Se tiver, eu vou ser sancionado conforme a lei. Se não tiver, arquiva-se o inquérito e encerrou o processo.

Pergunta - Secretário, uma assessoria de duzentos mil, o senhor não acha muito caro?

Marcelo Britto - Eu acho barato, eu acho que depende muito do serviço que você presta. Você tem serviços que, talvez, mil reais seja muito caro, e você tem outros serviços de um milhão de reais ainda sai barato. Aí vai depender muito da variação do resultado que possa ser trazido em cada um dos serviços prestados.

Pergunta - Quais foram os tipos de serviços prestados?

Marcelo Britto - Os serviços prestados foram de consultoria na área de saúde. Serviços esses que eu já presto há talvez 20 anos, em grandes hospitais: Hospital Português de Salvador, Hospital Português de Recife, interior de Minas Gerais, é um serviço muito interessante.

Pergunta - E os valores são iguais?

Marcelo Britto - Os valores são até superiores.

Pergunta - Como o senhor se sentiu em ser intimado pela Polícia Federal?

Marcelo Britto - Nada demais. Isso é a obrigação de um secretário e de qualquer cidadão no momento em que é chamado a depor, ou através do órgão de fiscalização. comparecer e fazer o depoimento necessário. Nada demais.

Pergunta - O senhor continua secretário?

Marcelo Britto - Essa pergunta você tem que ver no Diário Oficial. Enquanto o Diário Oficial não publicar a minha exoneração, eu continuo secretário. No dia que ele publicar a exoneração, ou a pedido ou a determinação do senhor Prefeito, eu deixo de ser secretário e continuo médico.

Pergunta - R$ 11 mil reais é o salário de um secretário. O senhor foi sócio do HTO, várias clínicas, um médico renomado em Feira de Santana. R$ 11 mil, com muita dor de cabeça, vale a pena, secretário?

Marcelo Britto - Eu diria que é uma missão. Eu diria que no momento que eu fui convidado a assumir a Secretaria Municipal de Saúde eu sabia que termina se envolvendo indevidamente em questões políticas. Eu não sou político, não sou candidato a nada. Sou candidato a fazer uma boa gestão na Secretaria de Saúde, e é esse o papel que nós estamos fazendo. Eu sabia que a gente ia enfrentar muitos percalços, mas tudo na vida é uma missão. Nas vezes que precisei fazer cirurgias complexas, eu sabia que eu ia enfrentar uma cirurgia difícil, uma cirurgia que poderia trazer resultados não tão satisfatórios para o pacientes, mas eu não me omiti, na hora que eu precisei fazer a cirurgia, eu fiz. Nesse mesmo momento que eu percebi que podia ajudar em alguma coisa sendo secretário de Saúde. Mesmo com todas as dificuldades e a área política tentando interferir, eu, ainda assim, assumi. E eu diria que eu, quase nunca, me arrependo de nada do que fiz na vida.

Pergunta - O senhor continua como secretário, o senhor pretende continuar apesar de todas essas denúncias.

Marcelo Britto - Eu, até que o prefeito diga que deixou de confiar em mim, continuo secretário. São duas condições para ser secretário: Primeiro, você vai usar de confiança do prefeito, e o prefeito dizer que acha que o seu trabalho está sendo bem executado, e ele desejar que você continue; Segundo, a condição é você próprio querer continuar secretário. Eu, por enquanto, digo que estou secretário, até que o Diário Oficial e o prefeito me digam: "Marcelo, lhe agradeço seu serviço, mas não dá pra continuar". E aí eu deixo, nenhum problema nisso.

Pergunta - O senhor acha que está sendo perseguido?

Marcelo Britto - Eu diria que não há perseguição. Eu diria que são interferências políticas, porque a gente faz uma série de mudanças dentro da Secretaria, e que desagradam uma parte das pessoas. Quem poderia estar levando algum tipo de vantagem, deixa de levar vantagem e, lamentavelmente, a nossa cultura, percebe-se a chamada cultura da "Lei de Gerson", que é levar vantagem em tudo, e isso não seria o ideal. O ideal é que todo mundo fizesse o seu papel, que todo mundo que tem que trabalhar, trabalhasse, e não recebesse recurso, eventualmente, sem nenhum tipo de trabalho. Isso que eu acho que é importante.

Pergunta - A CPI da Saúde, na Câmara Municipal, o senhor já tá preparado para ser arguído pelos vereadores?

Marcelo Britto - O dia que eles desejarem. Eu já fui chamado duas vezes, já mandei ofício duas vezes me oferecendo, marcando data, e um dia antes cancelaram. Eu estou à disposição de qualquer um dos vereadores, estou à disposição de vocês, da imprensa, como sempre o fiz. E não é estar preparado ou não estar preparado. Perguntas são feitas e vão receber respostas verdadeiras, honestas, claras, do jeito que eu faço quando dou entrevista.

 

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