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Atualizado em: 26-05-2026 09:44

78% dos leitos ocupados por vítimas do trânsito: HGCA alerta para colapso e cobra ‘fase repressiva’ em Feira

O alerta foi dado pela direção do Hospital Geral Clériston Andrade (HGCA), durante coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira (25)
78% dos leitos ocupados por vítimas do trânsito: HGCA alerta para colapso e cobra ‘fase repressiva’ em Feira 78% dos leitos ocupados por vítimas do trânsito: HGCA alerta para colapso e cobra ‘fase repressiva’ em Feira

O trânsito de Feira de Santana deixou de ser apenas um problema de mobilidade urbana para se tornar uma grave crise de saúde pública. O alerta foi dado pela direção do Hospital Geral Clériston Andrade (HGCA), durante coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira (25), ao revelar um dado alarmante: cerca de 78% dos leitos de internação da unidade estão ocupados por vítimas de sinistros viários, principalmente motociclistas.

 

O cenário pressiona diretamente o maior hospital público do interior baiano, que dispõe de quase 370 leitos, sendo 68 de UTI, e compromete a regulação de pacientes não apenas de Feira de Santana, mas também de mais de 120 municípios pactuados da região Leste da Bahia.

 

A mobilização integra a campanha Maio Amarelo e reuniu representantes do Ministério Público da Bahia (MP-BA), forças de segurança, órgãos de trânsito e entidades parceiras para discutir medidas urgentes de enfrentamento à escalada da violência nas ruas e rodovias.

 

Motociclistas lideram estatísticas e elevam custo milionário ao SUS

 

Além das vidas perdidas e das sequelas permanentes, os acidentes impõem um alto custo financeiro ao sistema público de saúde.

 

Segundo dados apresentados pelo HGCA, pacientes em estado grave internados em leitos de UTI chegam a gerar um custo médio de R$ 5 mil por dia. Já os pacientes submetidos a cirurgias e internados em enfermarias demandam aproximadamente R$ 2,5 mil diários.

 

O peso dessa conta recai diretamente sobre o Sistema Único de Saúde (SUS), enquanto o hospital enfrenta sobrecarga crescente causada, em grande parte, por ocorrências relacionadas à imprudência no trânsito.

 

Participam da iniciativa a Câmara da Mulher Empresária (CME), a Superintendência Municipal de Trânsito (SMT), o Comando de Policiamento da Região Leste (CPRL-PMBA) e a Polícia Rodoviária Federal (PRF).

 

MP endurece discurso: “Passamos da educação para a fase repressiva”

 

Presente no encontro, o promotor de Justiça Dr. Audo Rodrigues afirmou que o momento exige mais rigor na aplicação da lei diante da gravidade dos indicadores.

 

Segundo ele, acidentes com mortes ou feridos geram inquéritos policiais analisados pelas promotorias especializadas, que avaliam a responsabilização criminal dos envolvidos.

“O promotor competente vai avaliar se aquela conduta é culposa ou dolosa para, a partir daí, tomar a providência criminal adequada”, explicou.

 

O representante do Ministério Público destacou ainda que o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) prevê punições severas para crimes como embriaguez ao volante, racha, homicídio no trânsito e direção sem habilitação com risco à coletividade.

 

Diante do impacto dos acidentes no sistema de saúde, o promotor enviou um recado direto aos condutores:

“A população precisa entender, os motociclistas precisam entender que a lei precisa ser cumprida. Passou-se um pouco mais daquele momento de educação de trânsito para uma fase repressiva”, afirmou.

 

Para Audo Rodrigues, o volume de recursos públicos consumidos por acidentes decorrentes de imprudência já atingiu um patamar inaceitável.

“Não se justifica a quantidade de motoristas e motociclistas infratores aqui em Feira de Santana”, criticou.

 

Lei Seca, blitzes integradas e foco no São João

 

Como encaminhamento prático da reunião, os órgãos decidiram intensificar a fiscalização em Feira de Santana, adotando um modelo semelhante ao utilizado durante a Micareta de Feira.

 

Com a proximidade dos festejos juninos, a estratégia será ampliada para grandes eventos e períodos de maior circulação. A promessa das forças de segurança é de tolerância zero.

 

Polícia Militar, PRF e SMT devem realizar operações integradas da Lei Seca, blitzes de grande porte e ações ostensivas em avenidas urbanas e rodovias, com o objetivo de retirar condutores alcoolizados das ruas, reduzir acidentes e aliviar a pressão sobre os hospitais da região.

 

O recado das autoridades é claro: diante do avanço da violência no trânsito, a fiscalização deverá ganhar força para tentar conter um problema que já ocupa a maior parte dos leitos do principal hospital público do interior da Bahia.

 

(Com informações do blog Central de Polícia FSA)

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